sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A casa, o sonho, o sol

Um brilho que cresce, quase sem perceber, aos poucos ilumina nossa sala com a luz do dia brilhando lá fora. É o sol que quer entra?

Tive medo. Abri minha porta aos poucos, por várias vezes tive vontade de correr e fechar. Levantei, corri, e quando estive perto de virar as costas, alguma coisa me fez desistir e tentar mais um pouco. Dia a dia, pouco a pouco, teu sorriso foi encontrando espaço do meu lado... O medo insistiu em ficar, e arrumou um esconderijo num cantinho da memória. Acho que ele ainda deve ficar por uns dias, talvez... mas encontrei alguns caminhos pra desviar do seu lugar. Cedo ou tarde ele faz as malas de vez.
Percebi que do outro lado da casa você ainda procura as chaves do porão. Mexe nos bolsos, revira o paletó, coça a cabeça. Está aflito e não sabe o que fazer. Nós dois sabemos do pesadelo que mora lá, dos monstros que enterramos, o quanto é feio e fede.
Você está de pé em frente a porta entreaberta, vira e mexe espia lá dentro, como se precisasse de alguma coisa de lá. Você olha, espia, volta, fica aflito, revoltado... e vai fugindo pouco a pouco. Sem perceber, vai entrando no porão. Você me grita querendo ajuda mas eu não sei mais oque fazer. Preciso entrar mas você não deixa. Preciso te mostrar que a chave está na sua mão e você não percebeu.
- Esse lugar está sujo, meu amor. Não existe vida lá! A casa é grande, me dá a mão e vem comigo. Vamos sair daqui.
Estou com medo porque as vezes parece que você não me ouve, não me sente, não me vê. Mas eu não fui embora, continuo aqui. Se você ainda puder enxergar, puder ouvir, se ainda te restar uma leve lembrança do nosso imenso amor, olhe pra fora. É chegada a hora de um amor de tantas rugas assumir o seu próprio lar.

Um brilho que cresce, quase sem perceber, aos poucos ilumina nossa sala com a luz do dia brilhando lá fora. O sol quer entra!

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